Este bloco de notas diz respeito a um conteúdo com restrição de estatuto, por isso não revelo qual é no post para não estar a facilitar divulgação livre de material a membros sem o estatuto necessário. Assim, se para a discussão for útil saber qual o material didáctico de onde originaram as notas, qualquer membro Ouro+ me pode perguntar pela comunidade, que eu respondo.
Bloco de notas
++ Jogo standard é o jogo que se joga contra desconhecidos. O objectivo do ganho de informação é adaptar o jogo, desviando-o do standard.
+ Maioria dos vilões não se adapta para além do básico e óbvio, e essencialmente mantém o seu próprio jogo standard. Isto explora-se com os nossos próprios desvios do standard: é nos desvios dirigidos que está o lucro.
+ Em comparação ao jogo standard, contra um CS faz-se menos bluff e value bets mais thin.
-- Contra vilões que se adaptem, podes mudar a tua adaptação sem mudar stats. Tipo, contra um vilão prefiro jogar com mãos especulativas: em vez de simplesmente as acrescentar ao range, substituo outras menos compatíveis com o estilo de jogo que quero adoptar, mantendo a frequência com que abro.
- Contra weaktights é preferível jogar com especulativas porque eles fazem pouco bluffcatch: O value-betting perde valor (só dão call quando estão à frente)! Mais vale ir com mãos de semi-bluff e assim.
- Contra CS, é preferível jogar com mãos que atinjam pares altos para “valor óbvio” (fortes), já que eles dão call.
** O range de abertura não se deve basear no meu lugar à mesa, mas no spot em que me encontro, que tem também em conta os vilões atrás de mim (detalhes como a nota acima, ou posição, stacks e a minha imagem).
++ Se estiver na SB e abrir 3bb com any2, e a BB defender com <40% das mãos, o steal é +EV. (as minhas contas indicam algo mais em torno de 30% - verificar melhor)
+ Se vilões tiverem VPIP ~<20%, posso roubar c/ any2 no BU e SB – mas a adaptação é frequente!
-- Polarizar o range de 3-bet faz tanto mais sentido quanto menos o vilão der call. Se perante 4bet foldamos, então tanto faz segurarmos KQ como 72 – logo, mais vale transformar em bluff o 72 e flatar KQ para jogar pós-flop.
- O vilão tem mais tendência para ir de call IP e 3-bet OOP, pelo que nas blinds devemos 3-betar um range não-polarizado, e em posição é preferível polarizar a 3-bet.
- O range de bluff deve consistir no topo do range de fold (logo abaixo do calling range).
- Por valor, a partir do momento em que uma mão não chega para 5-bet/chão, então é melhor esquecer o 3-bet e ir só de call.
- Método rápido para determinar range de 3-bet bluff: ”qual é o Kx mais baixo com que dou call por valor? KT. Então K9 é o topo do meu range de 3-bet bluff. Depois, quanto maior o fold to 3-bet do vilão, mais baixo pode ir o kicker.”
** Por 100bbs, em 3-bet pot as mãos fortes jogam melhor que as especulativas.
++ Stats mais úteis para avaliar honestidade ou desonestidade do vilão: c-bet e fold to c-bet nas várias streets.
Contra honestos:
+ Em média acertamos o flop 1/3 das vezes. Então, o jogador honesto terá ~60% fold to c-bet.
+ Contra o vilão honesto perante c-bets, só devemos c-betar por value ou bluff. Se tivermos um SD value mais thin (tipo alguns 2nd pair), melhor controlar o pote.
+ Pelo mesmo motivo de acertar 1/3 dos flops, uma c-bet turn honesta ronda 35-40% (ver também c/r turn, que também deve ser baixa, senão o valor da c-bet turn pode ser enganador) ; alguns vilões só ficam honestos no turn.
+ Para explorar vilão honesto no turn, queremos chegar lá: vamos foldar muito pouco para a c-bet no flop, mas respeitar bastante a eventual c-bet no turn.
Contra desonestos, somos agressor:
+ O jogador desonesto terá ~40% fold to c-bet.
+ Contra o vilão desonesto que está desertinho para nos fazer float, c-betar mãos com que não podemos barrilar turn lucrativamente é rasgar dinheiro, mesmo que a c-bet se enquadrasse perfeitamente no nosso standard, porque neste spot não vai funcionar e somos obrigados a desistir turn – mesmo o que o vilão quer. Então mais vale o c/f flop.
+ Exemplos de linhas interessantes em contextos específicos.
Contra desonestos, vilão é agressor:
+ Se o vilão tem uma c-bet turn alta, então vai-nos barrilar a maioria das vezes, pelo que no flop vamos foldar para a c-bet e continuar só por valor: se a nossa mão não consegue aguentar 2 barris, não vamos oferecer-lhe valor no flop, melhor esperar que bata e recolher do provável bluff do vilão.
+ Também é interessante pensar em dar só call com monstros (mesmo pré-flop) se soubermos que o vilão vai apostar muito os bluffs, para lhe “dar corda”, já que ele folda muitos bluffs para um raise, mas os aposta perante calldown.
+ Já que o range com que o vilão beta turn é tão grande, isso significa que é mais fraco, o que torna interessante guardar o semi-bluff com draws para o turn, já que continuamos com FE mas arrecadamos mais uma aposta.
** Para a maioria dos vilões TAG comuns, o range de cbet é air ou top-pair+. Assim, pode assumir-se com relativa confiança que o cbh é feito com 2nd-pair ou bluff-catcher do género a maioria das vezes (ocasionalmente, monstros).
* Este cbh pretende, à priori, ir de call no turn – bluff turn para desistir river é a pior linha possível. Da mesma forma, se tivermos uma mão top-pair+, queremos apostar turn bem alto, já que o call é quase garantido.
* No river, já entra muito metagame na decisão da betsize: normalmente, um potsize faz foldar e um ½ pot leva ao call, mas há que ter em conta até que ponto o vilão tem noção disso.
-- Se formos nós na posição descrita acima, um ajuste melhor que passar a c-betar também o 2nd-pair é cbh também algum air, para depois c-betar turn perante novo check. Isso leva a que o nosso air possa ganhar mais potes, mas também fortalece o range de c-bet.
- Outro spot interessante para jogada similar é quando 3-betámos a blind.
++ Uma stat de donkbet flop alta será honesta se se acompanhar de grande fold-to-cbet, já que o jogador donka os flops que acerta, folda o resto. Logo, quanto mais alta a fold-to-cbet, mais devo acreditar nas donkbets.
+ Semelhante acontece com raise-vs-flop cbet e fold-to-turn-cbet: só se tem boas mãos que chegue para ter força muitas vezes numa das coisas.
** WWSF tende a ser baixa nos honestos, alta nos desonestos (fronteiras nos 35-50%).
* WTSD revela se o jogador tende a ser bluff-catcher ou não (fronteiras nos 25-30%).
* Valores elevados tanto de WTSD como de W$SD revelam que o jogador value-beta pouco e faz trap com mãos tipo top-pair. Se além disso o seu WWSF também for alto, então provavelmente toda a sua agressividade é bluff, já que com valor joga passivo.
* Agg Freq river: 20% quase nunca bluffa, 30% bluffa muito.
* Muitos fishes têm baixa fold to c-bet e 80-90% bet OOP river. Contra eles é interessante barrilar turn por bluff (ver fold to c-bet turn), mas dar cbh com valor para induzir bluff no river.