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Bloco de notas sarvam - Hand-Reading (2+2)

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sarvam
Membro desde: 28.12.2009

Este é um bloco de notas de um post do fórum 2+2 The long-in-the-making TDA Pooh-Bah: On hand-reading (warning: MEGA tl;dr)

1. Princípios Gerais

1.1 O Básico - o que é um range?

Um range é um grupo de mãos que o teu oponente pode "viavelmente" segurar em qualquer momento da mão. Nota na palavra "viavelmente" - só porque uma mão não está no seu range não significa que ele não pode tê-la nunca.

Dois modos de avaliar um range:

  1. Enumerando todas as mãos no seu range
    Isto é mais prático no final de uma mão ou nas análises pós sessão. Todavia, em decisões standard no preflop e flop, não é possível considerar todas as mãos que o teu oponente pode ter.
  2. Avaliando a força geral do range
    Isto tem a clara desvantagem de não nos dar mãos específicas que ele vai ter no seu range, mas notas bem "colocadas" podem ajudar.

Método 1: Vilão 21/18 abre UTG. Pode ter AA-88,AJ+ e é possível 77-22,AT,KQ
Método 2: Vilão competente abre UTG. O seu range é bastante forte.

1.2 Lógica dedutiva e a sua aplicação no hand-reading

Lógica dedutiva é o processo pelo qual se pode fazer certas afirmações e usá-las para chegar a conclusões que são necessariamente verdade dado a veracidade dessas afirmações.
Para o nosso propósito temos silogismos e contraposições.

1.2.1 A lei do silogismo

Em geral, é o modo como argumentos sólidos são feitos. Nela, um conjunto de premissas são usadas para alcançar uma conclusão usando passos lógicos e sólidos.

Se P, então Q
Se Q, então R
Se P, então R

Existem apenas dois modos de refutar um silogismo: refutando uma das premissas ou mostrar que a lógica tem falhas (mostrando que a conclusão não segue as premissas).
A hand reading em si mesma é essencialmente lógica dedutiva. Pegamos em premissas e aplicamos o raciocínio para deduzir o range de mãos do vilão.

Ex:
Vilan nunca cbeta no flop sem ter pelo menos TP
Vilan cbetou no flop
Vilan tem pelo menos TP no flop

1.2.2 A lei da contraposição

Sugere que se P necessariamente implica Q, se Q não é verdade , então P também não pode ser verdade.

1) Se o frigorífico está aberto, podemos ver o seu interior
2) Não é possível ver o interior do frigorífico
3) O frigorífico não está aberto

Na sua aplicação ao poker, é na sua maioria uma forma de excluir mãos do range do vilão.

PokerStars - $0.25 NL FAST (6 max) - Holdem - 6 players

Hero (BTN): $33.52
SB (SB): $22.11
BB (BB): $28.41
UTG (UTG): $27.39
MP (MP): $21.24
CO (CO): $32.14

SB posts SB $0.10, BB posts BB $0.25

Dealt to Hero: T♦7♦

fold, fold, fold, Hero raises to $0.62, fold, BB calls $0.37

Aqui a lei da contraposição diz-nos que se ele tivesse (fazendo algumas suposições) AA-TT, AK-AQ, ele teria dado 3bet preflop, e como ele não 3betou preflop, essas mãos não estão no seu range

Flop ($1.34, 2 players): K♠9♠8♣
BB checks, Hero bets $0.84, BB calls $0.84

Novamente, fazendo algumas suposições, podemos excluir sets e muitos draws, assim como a maior parte dos dois pares devido ele ter dado flatcall, assim como pares baixos e lixos

Turn ($3.02, 2 players): 7♣
BB checks, Hero bets $1.90, BB calls $1.90

Agora podemos excluir 65s e JTs, que teriam raisado esta board molhada com um straight.

River ($6.82, 2 players): 5♣
BB checks, Hero bets $4.29, fold

Chegamos a este ponto e o range do vilão consiste maioritariamente em não-AK Kx, com alguns missed flush draws que decidiram não dar raise no flop.

Hero wins $6.51

A lei da contraposição e do silogismo actuam bastante bem como complementos uma da outra no que diz respeito a hand-reading - a lei da contraposição muitas vezes formula parte do raciocínio num silogismo (e pode formar um silogismo negativo).

1.3 Lógica indutiva na hand-reading

1.3.1 Como funciona

Lógica indutiva é uma forma de raciocínio probabilístico, que afirma que dadas as premissas a conclusão é provável em vez de certa. Tem fortes ligações à aplicação de estatísticas.

Exemplo de silogismo estatístico
P1) A maioria das pessoas que vivem na GB têm acesso à internet
P2) Tomás vive na GB
C) Assim, é provável que Tomás tenha acesso à internet

Podemos usar a indução para a lei da contraposição
P1) A maioria das pessoas que vivem na GB têm acesso à internet
P2) Tomás não têm acesso à internet
C) Assim, é improvável que Tomás viva na GB

Na aplicação ao poker
P1) A maioria dos jogadores que têm VPIP de 80 e PFR 0 depois de 10 mãos são "baleias"
P2) XPTO tem um VPIP de 80 e PFR 0 em 10 mãos
C) Assim, é provável que XPTO seja uma "baleia"

Usamos também este tipo de raciocínio no poker (geralmente para amostras bem pequenas de determinadas peculiaridades), mas geralmente desde que tenhamos uma amostra decente o suficiente para fazer comparações com a "população" em vez de dados individuais/isolados.
No que respeita ao hand-reading, isto permite-nos fazer suposições a partir do HUD sobre os ranges de mãos.

1.3.2 Convergência

A ligação entre lógica indutiva e convergência pode não ser imediatamente evidente.
Demasiadas vezes, jogadores de poker (particularmente de micro stakes) tendem a tratar a convergência como um valor binário - tratam as estatísticas como convergentes (e assim confiáveis) ou "inconvergentes" (e assim não confiáveis).
A falha neste pensamento pode ser facilmente descoberta simplesmente considerando o ponto de convergência em que uma stat começa a convergir.
Neste sentido, a ligação com a lógica indutiva é decidir o nível de confiança que damos à amostra.

1.4 Exercício 1

2) XPTO joga 75/0 em 4 mãos. Qual das seguintes é correcta?

O1) XPTO é um Reg
O2) XPTO não é um Reg
O3) XPTO é mais provável não ser um Reg do que ser
O4) Nenhuma das acima

Spoiler

Só a opção 3 é uma conclusão válida. Opção 1 e 2 requerem uma maior quantidade de evidência para ser considerado "correcto" e a opção 4 ignora o valor de amostras pequenas.

3) Assume que estas reads são perfeitas. Um mau TAG abre de UTG.

Sabemos o seguinte sobre ele:
1. Ele tem um range de open raise de UTG estático de 22+,ATs+, AJo+,KJs+,KQo,QJs
2. Ele tem uma cbet flop polarizada de TP+ e mãos não pares
3. Ele beta sempre dois pares ou melhor no turn e river, nunca beta mãos piores

Demos call no BU. O Flop é AJr. O vilão checkou. Nós checkamos atrás. O Turn é um Ko, vilão beta.
Q: Qual o range do vilão?

Spoiler

KJs,KK

2 - O Preflop

Toda a mão começa no preflop e este é o prirmeiro local para começar a reduzir o ranfe do vilão.

2.1 O Open Raise

É interessante considerar "porque" um oponente abre uma mão em particular num spot, em vez de de apenas seguir ideias preconcebidas "do que" ele pode abrir.

2.1.1 Enumerando ranges preflop em 2bet potes - em grande parte desnecessário

Deve ser bastante claro que o ponto em que o range do vilão é mais largo durante uma mão é quando ele raisa preflop.
É difícil de atribuir rapidamente um range específico ao range de open raise de um oponente. Isto leva muito tempo e é impreciso sem uma amostra grande e reads do oponente.
Em vez de pensar "vilão tem consciência posicional e é um 13/10 que abre do UTG, o seu range provável é 88+,AK,AQ", é igualmente correcto pensar "vilão é um nit que tem consciência posicional, abriu do UTG o seu range é forte".
De igual modo, não tem sentido tentar contar todas as mãos que um 26/22 abre do BU, concluindo apenas que "o seu range é largo" é suficiente.

2.1.2 Posição

Quase toda a gente sabe a importância da posição. Aqui vou considerar o impacto que a posição do vilão tem no seu range de open. É sempre útil considerar quando um oponente tem consciência posicional e o que isso implica. O modo principal de fazer isto é através das stats do HUD.
Um HUD é bastante rápido a fornecer uma ideia se o vilão tem consciência posicional.
A stat Atempt to Steal (ATS), que fornece a percentagem combinada de vezes que um vilão fez open raise do CO, BU e SB, converge razoavelmente rápido. Em geral, num jogo de 6max, com 40 mãos já nos dá alguma ideia.
Se a stat ATS é significativamente maior do que o PFR a partir de uma amostra decente, podemos estar bastante confiantes que o vilão tem consciência posicional.
Leva um pouco mais a ter a certeza que ele não tem consciência posicional, mas a partir de 100 mãos já é possível fazer conclusões firmes.
OBS: a stat "Preflop Positional Awareness" é interessante. Sobre amostras maiores pode ser mais específica, por isso aqueles que jogam em redes mais pequenas podem preferi-la.

Quanto mais um jogador tem consciência posicional, mais largo vai ser o seu range nas posições finais.

Podemos usar a consciência posicional para indicar os ranges do vilão dependendo da posição em que tu ou outro oponente abre, assumindo que o vilão está no segundo nível de pensamento (é geralmente seguro assumir que um vilão que não tem consciência posicional não está a olhar para além das suas cartas). Isto acontece quando abrimos e o vilão não folda.

Duas situações a ter em conta:

  1. quando o vilão 3beta, o seu range e balanceamento é provavelmente muito influenciado pela posição do oponente que abriu (e quase de certeza em maior escala do que a sua própria posição) - quando um vilão abre no UTG e o MP 3beta, o range deste é bastante provável que seja mais tight e orientando para o valor. Quando o CO abre e o BU 3beta, o range deste é mais largo e provavelmente a tender mais para os bluffs. Se o vilão não tem consciência posicional, estes ranges serão bastante parecidos. Isto também pode mudar, se o vilão "sabe" que o original raiser não tem consciência posicional.
  2. um outro exemplo é o range de call baseado na posição do open raiser. Quanto mais largo é provável que seja o range do open raiser, mais provável é que o vilão tenha feito dois ajustes - encurtar um pouco o range e mudar o foco das mãos especulativas para mãos com brodways, ou outras mãos que possam acertar TP frequentemente.

    Regs maus e fishs, por vezes têm o hábito de dar call a raises nas blinds com ranges bem largos. A melhor forma de fazer frente a estes jogadores é abrindo ranges mais largos quando eles estão mas blinds e usar a nossa vantagem posicional.

2.1.3 A mesa

É difícil saber quando um vilão se vai ajustar a outros que não tu na mesa por ser difícil saber quanta "história" existe entre eles.
Tirar notas detalhadas é o melhor modo para resolver isto. (Deves ter atenção para anotar contra quem é a jogada e situação).
É difícil saber também se o vilão1 sabe que o vilão2 é uma "enorme baleia". A solução para isto infelizmente é fazer suposições baseadas no jogo que normalmente fazem.

É geralmente aconselhado assumir que um vilão não se está a desviar muito de uma jogada que ele faria baseada apenas nas suposições da população, mas se tiveres noção de "história" específica isto pode mudar.

A mesa pode fazer um oponente mudar os ranges no preflop de várias formas. A mais comum é a dinâmica da mesa. Jogadores diferentes respondem de modo diferente a diferentes dinâmicas da mesa, variando desde mudar com a dinâmica, mudar contra a dinâmica, até não mudar nada. A melhor forma para saber a resposta do indivíduo é observá-lo em particular em vez de fazer generalizações.
Com a dinâmica da mesa, as acções de um oponente mostram quando ele tem consciência ou não do que se passa. O exemplo mais óbvio é com a dinâmica forçada da mesa (a bubble de um MTT).

A outra forma que a mesa irá alterar o range de mãos do vilão é os jogadores que faltam agir e particularmente os jogadores nas blinds.
Quanto mais fishs forem os jogadores nas blinds, em geral menos os vilões serão ajustados posicionalmente e terão ranges mais carregados com cartas altas. Isto é porque os vilões querem isolar os fishs de qualquer posição e eles não têm tanta fold equity quando dão steals de posições finais - se as blinds forem dois grandes nits, é provável que o vilão vá abrir mais largo do BU e CO, sendo menos provável afectar os ranges de EP e MP.
Nem todos os vilões irão fazer estes ajustes e vale a pena tirar notas quando se descobrir vilões que se ajustarão ou não (normalmente regs de NL2+ irão fazer estes ajustes).

2.1.4 Exemplos de preflop 2bets

1) Vilão tem consciência posicional e é 21/18. Qual das seguintes é a mais certa sobre o seu range de open no UTG?
O1) É >18%
O2) É 18%
O3) É <18%

Spoiler

É a opção 3. Se não percebeste porquê, relê a secção Posição

2) Vilão, jogador de NL50 é 25/21 em 220 mãos. O seu ATS é de 46% nessa amostra. Ele abriu no BU 8 vezes em 46 oportunidades. Qual das seguintes é uma conclusão válida?
O1) É muito provável que vilão tenha consciência posicional
O2) Vilão quase de certeza que abre mais do CO e SB do que do BU
O3) Não podemos fazer uma inferência concreta a partir dos dados.

Spoiler

É a opção 2. Consulta a parte inicial da secção Posição.

3) Vilão é regular competente no CO que dá flat de um raise de um TAG no UTG e depois dá backraise quando o BB, um hyper-agressivo (mas não terrível), dá squeeze e o UTG folda.
Qual das seguintes mãos é mais provável ele ter?
O1) AQo
O2) AA
O3) 54s

Spoiler

É a opção 2. AQo é um flat quase de certeza; 54s não é uma mão boa para balancear um range de backraise e com este jogador na BB ele pode ter muito bem dado flat com AA com a intenção de fazer o backraise. O seu range, contudo, vai ser um pouco mais largo do que numa típica 4bet

2.2 A 3Bet

No que respeita a 3bets, normalmente podes pegar nas suposições sobre um vilão e jogá-las pela janela.
Há muitos estilos diferentes no que respeita a 3bets que não estão directamente relacionados com outros elementos do estilo do jogador.

2.2.1 Polarização e "misturar" (merging) Nota: à falta de uma palavra melhor, coloquei misturar ou misturado. Pelo que andei a ver um range merged é muito parecido ou +/- o mesmo que um range despolarizado

A primeira coisa a considerar é a diferença entre 3bets polarizadas e misturadas.

Um range polarizado é quando um range contém mãos a tender para o nuts e mãos bluff/semi-bluffs, sem conter mãos com showdown value (SDV).
Um exemplo seria JJ+,AQ+,A5s-A2s. A parte de valor mantém-se relativamente constante entre os vilões, mas a parte de bluffs difere muito de jogador para jogador e o mesmo jogador os altera consoante a situação. Geralmente, quando o 3betor está em posição é mais provável que o range de bluff tenha mais lixo com blockers do que quando ele está OOP (geralmente aqui preferem mãos mais jogáveis como SC). Na NL10 os jogadores podem ter descoberto a 3bet light e estar a 3betar 18% mas a continuar apenas com 3% vs 4bet.
É improvável que um range polarizado contenha as piores cartas como J3 ou 42o.

Um range é misturado quando não há intervalo entre as mãos de valor e as de bluff. Tende a conter uma componente maior de valor do que um range polarizado.
Uma range misturado standard pode-se parecer com isto 88+,ATs+,KQs,AJo+,KQo.

Quando podemos esperar ver um range polarizado e um range misturado? Há jogadores que somente usarão ou um ou outro. Sempre que encontramos um destes jogadores, vale a pena tirar uma nota (podemos fazer isto quando o vemos fazer com um dos ranges quando o o outro seria mais apropriado). Em geral, devemos assumir um range polarizado como padrão.
No entanto, há mais coisas que podem influenciar estas suposições e alterá-las:

  • as stacks efectivas são pequenas (um jogador que entenda isto terá mais tendência a 3betar com um range mais misturado).
  • é provável que se leve call na 3bet:
  1. stacks efectivas deep
  2. o 3betor está OOP
  3. o original raise é mau jogador
  4. há jogadores maus que faltam falar

Estes factores são mais prováveis de afectar o range do vilão quando ele está realmente a pensar - um robot mass tabling é mais provável de ter um range estático e tight.

2.2.2 A interpretação de stats e notas

A stat mais importante é a 3bet%. Mas esta stat leva muito tempo a convergir decentemente. No entanto, podemos usar as técnicas de inferência mencionadas acima para começar a fazer conclusões mais cedo.
As notas podem bem ser uma medida intermédia, mas devem ter a ver com com o contexto em que inserem.

Outra stat importante é a 3betvsATS, mas esta leva ainda mais tempo a convergir. Alguns jogadores ficam absolutamente "apáticos" contra as tentativas de roubo e é sempre bom saber quem estes jogadores são.

Devem ter cuidado com as notas em 3bet potes. Jogadores podem variar o seu jogo, porque se virmos um jogador dar call numa 3bet com AA isso não significa que devemos assumir que o seu range contém todas as combos de AA.
Utiliza amostras pequenas mas não abuses delas.

2.2.3 Posição

A posição pode fazer tanto efeito nas 3bets como o faz em open raises.
A posição do originar raisor faz mais efeito do que a posição do 3betor, apesar dos dois terem importância.
Isto é porque quão tight ou wide é o range do OR, faz um grande efeito nas mãos que podem estar "viavelmente" na 3bet por valor e quão frequentemente os jogadores sentem que podem dar 3bet light lucrativamente.

Quando o V1 raisa UTG, provavelmente não faz muita diferença para o range de 3bet do V2 quer ele esteja em MP2 ou BU. A maior diferença que a posição preflop pode fazer é se o V2 vai esta IP ou OOP posflop - para ambos o range com que o V1 continua e a possibilidade da 3bet se tornar +EV ou -EV, consoante a presença do edge posicional, fazendo mais efeito quando o V2 está nas blinds.

Há consequentemente algum efeito num range de call e de back raise. Quando o V1 abre de UTG e V2 dá call no MP, V2 provavelmente pensa que é menos provável enfrentar um squeeze do que se o V1 abre do CO e V2 dá call no BU. O efeito disto é duplo.
No primeiro caso é muito menos provável que o V2 flat com mãos super-premium (AA,KK,etc) com a esperança de induzir um squeeze e então dar 4bet. Depois o V2 é mais provável que flat mãos como SC, não só porque ele enfrenta um range forte e assim tem mais implied odds, mas também devido à reduzida possibilidade de levar sqeeze.

2.2.4 Exemplos de 3bets no preflop

Em todas as mãos pensa num range para o V1, usando a info acima.

1) V1 é um aggrodonk com consciência posicional que joga 73/64, com uma 3bet de 47% em 120 mãos. O resto da mesa são TAGs regs. Stacks efectivas de 100bbs

UTG opens 3x

MP folds

V1 (CO) 3bets to 7bb…

2) V1 é um bom jogador reg pensador. CO é um TAG que foldou 78% das 3bets numa amostra decente. SB e BB são ambos agressivos squeezers, que normalmente jogam contra CO e V1. 100bb deep.

UTG, MP fold

CO opens 3x

V1 (BTN) calls

SB folds

BB 3bets to 13bb

CO folds

V1 4bets to 28bb…

3) O mesmo cenário que acima.

UTG, MP fold

CO opens 3x

V1 (BTN) 3bets to 9bb…

4) V1 é um shortstack profissional com uma stack de 20bbs. BU é um reg mau com 94bbs, todos os outros jogadores são TAGs, excepto o UTG que é um fish.

UTG, MP, CO fold

BTN opens 2.5x

SB folds

V1 (BB) shoves for 20bb…

5) Todos os jogadores são TAGs regs. 100bbs deep.

UTG opens 3x

V1 (MP) 3bets to 9bb…

6) Como acima.

UTG, MP fold

CO opens 3x

BTN 3bets to 9bb…

7) Como acima.

UTG, MP fold

CO opens 3x

BTN folds

SB 3bets to 10bb…

2.3 4bets e para além disso

Em geral, assim que um jogador sabe coisas sobre 3bets é seguro assumir que ele é capaz de aplicar a mesma lógica para 4bets e 5bets(isto não quer dizer que eles vão dar 4bet light ou larga, particularmente se as tendências da população o faz menos lucrativo).
O facto de as stats de 4bet levarem muito tempo a convergir significa que em maiores fields a nossa melhor ajuda para ficar mais conscientes de tendências não-standard serão as notas. Se algo se desvia das expectativas da população, vale a pena tomar nota se isso nos fizer mudar significativamente o nosso jogo contra ele.

Uma backraise é gerado quando um jogador dá flat call a um open raise e depois dá 4bet por cima de uma 3bet.
Há duas formas de backraise: o backraise planeado e o backraise não planeado.

O backraise planeado é quando um jogador dá flat ao OR num spot que normalmente dariam 3bet porque notaram que têm um 3bettor/squeezer agressivo depois deles e pretende induzir um squeeze.

Stacks efectivas 100bb, SB squeeza 27%.

CO opens 3x.

Hero flats the BTN with AA.

SB squeezes to 13bb.

BB, CO fold.

Hero 4bets to 28bb…

Um backraise planeado é muito menos comum nos microlimites do que o backraise não planeado, porque requer que um jogador esteja consciente do que se está a passar ao ser redor.

O backraise não planeado é geralmente feito quando o range do squeezer é mais fraco do que o range do open raiser (por isso não 3betando uma mão marginal) e assim o backraiser sente que pode dar 4bet lucrativamente nesse spot.

Como padrão, deves assumir que o backraise que encontras é um backraise não planeado quando não tens razões para pensar o contrário.
Raramente um backraise é feito como bluff, porque o jogador que o é capaz de fazer (um jogador competente o suficiente para perceber que o range de squeeze pode ser fraco) é também provável de se aperceber que um range de backraise geralmente aparenta ser capped e assim ser mais provável de receber uma 5bet light.

No que diz respeito ao bet size, quando os jogadores se aperceberam que podiam dar 4bet light, também se aperceberam qye 4betar 3x vai fazer essas jogadas muito difíceis de fazer lucro. A partir disto, pode-se fazer suposições sobre o 4bet range a partir do bet size.

2.4 Usar o PokerStrategy.com Equilab para aprender sobre ranges

Um jogador iniciante pode muito bem "brincar" com o PE para compreender que tipo de range pertence a determinada percentagem. No entanto, é melhor não colocar uma percentagem, porque isso vai dar ranges imprecisos.
Se estás à procura de valores para corresponder aos ranges, é provavelmente melhor fazer pelo lado oposto e corresponder ranges com valores, escolhendo mãos pela ordem que pensas que podem ser jogadas.

É bom relembrar o perigo de atribuir ranges estáticos no preflop para um jogador nas mais variadas situações.
Muitos factores invisíveis podem afectar um jogador, como embriaguez, mau humor, e por aí fora, podem afectar o preflop. Só porque um Nit abriu de UTG, não assumas que podes excluir automaticamente 98s do seu range. Certamente podes fazer suposições contra isto, mas nunca digas nunca.

2.5 Concluindo quiz do preflop

Em cada mão, estima um range (ou meramente a força ou peso) para cada jogador que entra no pote. As stacks são de 100bbs a não ser que se refira outro valor.
Assume boas amostras.

1)

UTG (VPIP 22, PFR 18, 3bet 4, fold to 3bet 66, ATS 33) – reg chato

MP (VPIP 74, PFR 6, 3bet 0, fold to 3bet 32, ATS 7) – calling station fish

CO (VPIP 11, PFR 9, 3bet 2, fold to 3bet 73, ATS 16) – nitbox

BTN (VPIP 26, PFR 22, 3bet 8, fold to 3bet 70, ATS 48) – good, regular perceptivo

SB (VPIP 18, PFR 16, 3bet 4, fold to 3bet 88, ATS 28) – nitty regular

BB (VPIP 60, PFR 59, 3bet 55, fold to 3bet 0, ATS 73) – completo maníaco

UTG raises to 3bb, MP calls 3bb, CO raises to 12bb, BTN raises to 26bb, SB folds, BB calls 26bb,UTG folds, MP folds, CO raises to 100bb and is all-in, BTN calls 74bb and is all-in,BB calls 74bb and is all-in

2)

UTG (VPIP 22, PFR 18, 3bet 4, fold to 3bet 66, ATS 33) – reg chato

MP (VPIP 74, PFR 6, 3bet 0, fold to 3bet 32, ATS 7) – calling station fish

CO (VPIP 11, PFR 9, 3bet 2, fold to 3bet 73, ATS 16) – nitbox

BTN (VPIP 26, PFR 22, 3bet 8, fold to 3bet 70, ATS 48) – good, regular perceptivo

SB (VPIP 18, PFR 16, 3bet 4, fold to 3bet 88, ATS 28) – nitty regular

BB (VPIP 60, PFR 59, 3bet 55, fold to 3bet 0, ATS 73) – completo maníaco

UTG raises to 3bb, MP calls 3bb, CO folds, BTN raises to 12bb, SB folds, BB folds, UTG folds,MP calls 9bb

3)

UTG (VPIP 22, PFR 18, 3bet 4, fold to 3bet 66, ATS 33) – reg chato

MP (VPIP 74, PFR 6, 3bet 0, fold to 3bet 32, ATS 7) – calling station fish

CO (VPIP 11, PFR 9, 3bet 2, fold to 3bet 73, ATS 16) – nitbox

BTN (VPIP 26, PFR 22, 3bet 8, fold to 3bet 70, ATS 48) – good, regular perceptivo

SB (VPIP 18, PFR 16, 3bet 4, fold to 3bet 88, ATS 28) – nitty regular

BB

UTG raises to 3bb, MP folds, CO calls 3bb, BTN raises to 12bb…

4)

UTG (VPIP 22, PFR 18, 3bet 4, fold to 3bet 66, ATS 33) – reg chato

MP (VPIP 74, PFR 6, 3bet 0, fold to 3bet 32, ATS 7) – calling station fish

CO (VPIP 22, PFR 19, 3bet 3, fold to 3bet 79, ATS 30) – reg chato

BTN (VPIP 20, PFR 18, 3bet 11, fold to 3bet 72, ATS 40) – TAG

SB (VPIP 26, PFR 22, 3bet 8, fold to 3bet 70, ATS 48) – good, regular perceptivo

BB (VPIP 13, PFR 10, 3bet 3, fold to 3bet 77, ATS 22) – nit

UTG folds, MP folds, CO raises to 3bb, BTN folds, SB raises to 10bb…

5)

UTG (VPIP 22, PFR 18, 3bet 4, fold to 3bet 66, ATS 33) – reg chato

MP (VPIP 74, PFR 6, 3bet 0, fold to 3bet 32, ATS 7) – calling station fish

CO (VPIP 22, PFR 19, 3bet 3, fold to 3bet 48, ATS 30) – reg que luta para foldar para 3bets

BTN (VPIP 20, PFR 18, 3bet 11, fold to 3bet 72, ATS 40) – TAG

SB (VPIP 26, PFR 22, 3bet 8, fold to 3bet 70, ATS 48) – good, regular perceptivo

BB (VPIP 13, PFR 10, 3bet 3, fold to 3bet 77, ATS 22) – nit

UTG folds, MP folds, CO raises to 3bb, BTN folds, SB raises to 10bb…

3. O Posflop

Esta parte tem de ser mais vaga do que a anterior, porque assim que uma mão vai para o posflop a variável da board é introduzida, que é a maior complexidade em qualquer mão.

3.1 Princípios

Há muito menos coesão nos princípios da hand reading no posflop como um todo.

3.1.1 Polarização no posflop

Uma regra geral que se mantém verdade 95% das vezes nas situações do posflop: o range do agressor é polarizado, o range do jogador passivo é "misturado" (merged).
Excepção é quando um jogador tenciona floatar (dar call numa street com a intenção de bluffar na seguinte) - e normalmente não está a pensar qual o seu range como um todo, porque com streets por vir, é quase sempre melhor usar mãos com alguma equidade mesmo para linhas de bluff.
Do mesmo modo, jogadores vão betar com ranges "misturados" algumas vezes, especialmente em situações em que uma grande parte do range do oponente vai ser possível de jogar perfeitamente contra um check (quando o bettor está OOP num flop molhado ou num flop Axx).
Os princípios gerais apresentados acima são verdade na maioria das situações em que não há uma clara razão para não serem o caso.

3.1.2 Ranges apercebidos

Um mal entendido comum - que o range apercebido tem mais importância que uma mera ferramenta para ser usada na hand reading. O nosso range actual certamente tem mais do que alguma relevância quando se tentar trazer balanceamento e/ou game theory no nosso jogo, mas o range apercebido é meramente estimado como o range do nosso nosso oponente se vai alterar em resposta ao que o nosso range se parece, dada a nossa linha, que é a personificação da hand reading. Isto extende-se para além dos mais altos níveis de pensamento.

Uma breve definição do que é um range apercebido são as estimativas do oponente sobre o nosso range.
Os factos que devem ser considerados em descobrir o nosso range apercebido são:

  1. a nossa linha (incluindo bet size, respostas a diferentes texturas de boards, etc).
  2. os nosso oponentes (incluindo quaisquer mãos que jogámos com eles , como eles nos apercebem, a sua habilidade em spots particulares, ou para desconhecidos, as suposições baseadas na população sobre o que se disse antes).

Se o vilão não está a olhar para além das suas cartas, os seus ranges não são afectados pela credibilidade das nossas linhas - nós não temos um range apercebido.
Vilões diferentes vão interpretar diferentes linhas de forma diferente.
Infelizmente, a única forma de monitorizar isto é fazer notas meticulosas.

É importante estares consciente de como és diferente da população no limite em que estás a jogar, de modo que não estimes as tuas percepções de ranges nas percepções dos vilões dos teus próprios ranges (isto também se aplica ao segundo nível de pensamento - não deves excluir mãos de um range do vilão só porque não terias jogado aquelas mãos daquele modo).

O âmago de descobrir uma range apercebido é ainda fundamentalmente o mesmo processo de hand reading, apenas os teus axiomas estão dependentes de coisas diferentes.

3.1.3 Uma breve introdução ao quarto nível de pensamento e para além disso

  1. Primeiro nível de pensamento: o que eu tenho? (quais são as minhas cartas e como se conectam com a board?)
  2. Segundo nível de pensamento: o que o meu oponente tem? (isto também pode ser o jogador ingénuo a colocar o seu oponente numa única mão ou um jogador experiente a estimar um range)
  3. Terceiro nível de pensamento: o que o meu opponente pensa que eu tenho? (qual o meu range apercebido?)

A partir desta progressão o quarto nível de pensamento é: perceber o que um oponente acredita ser o seu range apercebido.
Se um oponente entende que o seu range apercebido é forte, então é mais provável que faça grandes bluffs do que tomar linhas de thin value.

3.1.4 Descobrir qual o nível em que um oponente está a pensar

Para estimar como o vilão está a pensar, devemos colher indícios de que nível o vilão está a pensar e continuar a "re-estimar" (pois um vilão pode mudar se melhorarem ou mudar a sua percepção de nós), mas devemos começar a partir das suposições da população (no momento, na NL10 Zoom um reg é normalmente um "pensador" de 2º nível e não mais que isso, metade dos regs de NL25 Zoom são capazes do 3º nível e basicamente todos os regs de NL50 Zoom são capazes).

Como sempre, não devemos sobrevalorizar pequenos pedaços de evidência. Quando um oponente praticamente desconhecido nos dá call no river com uma mão fraca e o nosso range apercebido é fraco, isto pode igualmente significar que este oponente é capaz de fazer hand reading ou ele pode ser um pouco calling station. Quantos mais indícios ganhamos em direcção a uma conclusão, mais certos podemos estar, mas o pedaço de indício que ajuda mais vai refutar a alternativa. Provar que alguém não é um calling station é mais difícil do que provar que é, uma vez que para aquele é necessário que folde.

Descobrir que alguém entende o seu range apercebido vai ser muito mais indutivo no processo de pensamento associado. Tende a ser indiciado por alguém que faz jogadas thin que são apropriados com o seu range, ou que podem pensar que pode ser apercebido.

A estrutura de níveis de pensamento existe por uma razão - se alguém é incapaz do segundo nível de pensamento, então será incapaz do 3º nível de pensamento e por aí fora.

3.1.5 Interpretação de bet sizes

No níveis mais baixos, os bet sizes são uma ferramenta incrivelmente útil para a hand reading e deve ser frequentemente preferida acima de qualquer outra indicação devido à quantidade de linhas estúpidas que vamos ver.
Em limites mais altos, mais jogadores usam bet sizes mais standard com os seus ranges inteiros, e assim torna-se muito menos útil. Ainda assim, algumas coisas vão continuar coerentes, se não necessariamente exploráveis.

Em limites mais baixos, em geral, a bet size é proporcional à força da mão, isto mantém-se coerente nos jogadores fracos mesmo em limites mais altos (apesar de apostas bem grandes frequentemente tenderem a ser tentativas de "tilt-induced pote-buying"; devemos tratar apostas do tamanho do pote como mais força na maior parte dos cenários do que uma overbet de 3x o pote, especialmente em boards secos). Isto não é totalmente verdade para toda a população de nano stacks.

Em limites mais altos (em geral em 2013, isto é NL10 e acima) a maior parte da população não cometerá erros óbvios. De facto, os jogadores mais fracos são frequentemente aqueles que vão dar a menor informação com o seu bet size - não vão pensar muito nisso e vão clicar no botão de 2/3 a maior parte das vezes.

Em geral, nos jogadores mais fortes, uma aposta mais alta representa um range mais polarizado (note-se que isto é também verdade para muitos jogadores fracos, mas estes terão poucos a nenhuns bluffs com que irão balancear os seu range) enquanto que uma aposta mais pequena é frequentemente uma mão de valor médio que procura thin value mantendo os ranges de call mais largos. Apenas aqueles que estão extremamente conscientes dos seu range apercebido vão tentar incluir bluffs num range ao betar mais pequeno quando se apercebem que representam um range mais forte quando betam mais pequeno.

Isto é também verdade em alguns jogadores que não estão conscientes do seu range apercebido. Contudo, eles terão frequentemente ranges a tender muito para o valor ou para o bluff quando betam grande em spots particulares, ao contrário dos jogadores melhores que tenderão a jogar com ranges mais balanceados. Nota que isto está dependente da sua percepção do hero - se o hero é percepcionado como um calling station ou um nit, os ranges podem ser construídos de formas diferentes para exploração apercebida máxima (maximal perceived explotation).

Há spots em que um bet size não faz sentido se feito por valor (uma overbet no river num spot onde o vilão sabe que o hero está capped). Isto é quase sempre um bluff a partir de um jogador semi-competente, mas à medida que o oponente vai piorando começa a ser mais provável que represente um monstro desesperado por tentar obter valor que o jogador sinta que ele devia ter.

3.2 Cenários posflop específicos mas comuns

3.2.1 Ranges capped

Um range está capped quando não pode (ou muito raramente) incluir um sub-range de mãos no final do topo de mãos possíveis incluindo nuts. Dizer que um range é capped em x, significa que a melhor mão nesse range é x. Saber quando um range do vilão está capped, e até saber quando o nosso range é capped, são ferramentas muito úteis em qualquer jogo de poker.
Um range torna-se capped quando um jogador deveria ter tomado uma linha diferente por valor daquela que tomou com o sub-range com nuts em questão. De notar que avaliar quando isto é verdade torna-se mais difícil quanto mais história se vai desenvolvendo e também com jogadores piores, devido à imprevisibilidade de como jogam o topo do seu range.

Cenário 1: Vilão está capped enquanto hero está uncapped

A primeira coisa a ter em consideração é que o facto de hero estar uncapped é só relevante se vilão for capaz de ler mãos num grau decente. Se vilão não vê para além das suas cartas é mais difícil de explorar um range capped (por exemplo um calling station), mas em boards secos é possível betarmos 100% do nosso range apesar de estar capped. Quando um jogador com um range capped que está consciente do seu range apercebido, é mais provável de o ver continuar com um range mais largo do que alguém que é apenas um "pensador de 2º nível", especialmente em spots no river onde vão ser capazes de dar call com x% do topo do seu range.

Nos ranges capped, a coisa mais útil a usar para avaliar mais precisamente os ranges são as notas e reads.
Num spot no preflop onde houve um backraise - normalmente o 4bettor está capped quando dá flat, portanto é útil saber se ele é capaz de dar flat com monstros neste spot.

No que respeita a ranges capped temos de ter uma boa compreensão da habilidade do vilão de modo a sermos capazes de estimar a "extensão" em que o vilão está capped. Se vemos os jogadores frequentemente tomarem linhas de valor estranhas, é mais uma razão para não se dar muito crédito para um aparente range capped, pois pode-se extrapolar de modo preciso ao ter visto um vilão fazer uma linha estranha que ele geralmente gosta de linhas pouco ortodoxas.
Em limites mais baixos em maior grau do que em mais altos, tens de balancear ideias gerais sobre os raises no turn e no river como sendo mais fortes com um aparente range capped.

Cenário 2: Vilão está uncapped enquanto hero está capped

Esta situação não acontecerá a não ser que o vilão seja um hand reader razoavelmente competente, pois de outro modo o range apercebido do hero não interessa. A primeira coisa a compreender é que o range apercebido do hero é capped. A segunda é compreender como o range do vilão se altera em resposta a este capping. Alguns jogadores relativamente abstraídos não vão alterar os seus ranges, enquanto que outros ficarão bastante excitados e barrilarão sempre que alguém cap o seu range. A melhor forma para estimar isto é fazer notas meticulosas.

Parece que a melhor forma de jogar quando o nosso range é capped e se enfrenta agressão de um range uncapped é tomar uma abordagem orientada para a game theory em relação aos ranges de call - tentando ser inexplorável ao dar call com x% do nosso range, porque as respostas aos ranges capped vão variar tão vastamente que tende a ser inútil tentar tomar uma abordagem exploratória em relação à população nestes spots.

Cenário 3: Ambos o hero e o vilão estão capped

Neste spot, é melhor fingir que as mãos que nenhum dos jogadores pode ter simplesmente não existe. Polarização ainda existe - afinal, não existe razão para que alguém que não possa ter top pair ou melhor (e que o oponente não possa também), não possa value bettar segundo par, dar check com terceiro par e bluffar sem pair.
No caso de um jogador não poder ter melhor que top pair e que o seu oponente não possa ter melhor que segundo par, o seu oponente está relativamente capped.

3.2.2 Enfrentando donkbets

Uma donkbet é uma aposta contra o jogador que teve a iniciativa na ronda anterior antes de ter agido na ronda atual.

Se um regular decente faz donkbet no flop, é quase sempre no caso de ele sentir que uma continuation bet seria improvável no spot específico (em geral, isto é quando um pote é multiway ou quando um flop é desprovido de cartas altas ou wet). Neste caso, o seu range para donkbet está alinhado com um range de cbet nesse spot - um range de valor bem largo com mãos feitas (muitas vezes incluindo sets e segundos pares) e um range largo de mãos com alguma equidade (algumas vezes gutshots e overcards). É muito improvável que eles vão ter mãos com muito pouca equidade - toma isto em consideração quando avalias ranges que continuam contra um raise.

Donkbets no turn e river a partir de regulares decentes são mais raros, e podem ser melhor avaliadas considerando as razões para tal e a sua percepção do hero - eles escolheram em liderar em vez de darem check-call, check-fold ou check-raise, e assim eles devem sentir que liderar tem uma melhor expectativa do que qualquer uma das outras opções. Isto deixa a situação muito vaga, mas este tipo de apostas aparecem raramente que é difícil de estabelecer uma regra geral para as avaliar e elas podem ser melhor tratadas com notas específicas - um range para fazer isto é mais provável que seja merged e talvez capped devido à decisão de dar check-call na ronda anterior.

Donkbets de fishs e outros oponentes fracos tendem a estar dividas em três categorias, dependendo da bet size - minbets (ou outras apostas muito baixas), bets standard e overbets (nota que uma donkbet do tamanho do pote tende a ter muitas implicações diferentes do que uma overbet).

A minbet tende a ser a mais difícil de encontrar um range preciso, mas é muito raro que um range de mindonkbet tenha mãos nutted, em vez disso tende a incluir uma ou mais das seguintes categorias: complete air, mãos feitas fracas e draws "tentando estabelecer o seu próprio preço". Os jogadores que fazem esta aposta tendem a fazê-lo frequentemente de modo que podes descobrir uma tendência relativamente rápido.
Um jogador que mindonk-call é muito improvável que tenha complete air, e se eles fazem o mesmo no turn e dão check-fold no river perante uma bet quando todos os draws falharam é muito povável que eles tinham um draw.

Standard donkbets de jogadores fracos podem representar qualquer mão por isso não me vou aprofundar. O seu range não terá assim tanto air que podes dar auto-raise e esperar que seja +EV ao fazê-lo.
As melhores ajudas para descobrir que range faz isso são a textura da board e as notas - se um fish donka quase pote quando uma carta do flush bate, deves esperar que ele tenha uma larga quantidade de flushes no seu range - eu raramente raisaria TPTK por thin value contra uma linha x/c-donk até mesmo num dos turns mais inofensivos.

Em relação às overbets, se um fish min3bet preflop(obviamente que nunca vamos foldar o nosso range de raise) e depois shova 8x o pote, isto é quase sempre um overpair, e mais frequentemente KK ou AA.
Outras donkoverbets em 3betpots tendem a representar ranges muito fortes.
Os ranges de donkoverbet no river são muito mais fortes.

3.2.3 O vilão está a bluffar?

É uma situação comum - o vilão faz alguma coisa que polariza o seu range (em geral, deves foldar bluffcatchers mais vezes nas primeiras streets se eles não têm draws para melhores mãos) e nós temos um bluffcatcher. Queremos saber se podemos dar call.
A primeira coisa a fazer é teres a certeza que estás confortável com as pot odds e o efeito de quão frequentemente tens de estar certo/ganhar.

Há duas principais componentes para avaliar um possibilidade de um bluff - quando eles podem ter chegado ao river com bluffs e dado o range com que chegaram ao river quão frequentemente são eles capazes de bluffar com o seu air e sub-range (isto também se aplica mais cedo mas mais vezes os "bluffs" dos vilões tendem a ser semi-bluffs).

Saber quando um vilão pode ter ou não bluffs no seu range quando chega ao river é uma tarefa de hand reading e que se foca profundamente em polarização. Alguém que deu raise preflop e deu cbet no flop e turn está provavelmente polarizado, e assim terá provavelmente mais bluffs no seu range quando chega ao river do que um jogador que nessa mão deu call no flop e no turn (que tenderá a fazer isso com um range merged).
Isto tende a depender da textura da board. Numa board seca, alguém que dá call duas vezes (especialemnte OOP) é improvável que tenha bluffs quando chega ao river (mas também o agressor é menos provável devido aos ranges de barreling em diferentes texturas de boards), enquanto que num flop molhado com cartas blanks no turn e no river é inteiramente possível para o caller que tenha air (draws falhados).

As tendências de um jogador também influenciam - alguém que nunca dá dois barris sem ter top pair ou melhor não terá air depois de mandar dois barris e um jogador que é capaz de transformar mãos feitas em bluffs pode ter um range de air (esta parte do range é mesmo air pois encontra-se abaixo dos bluffcatchers do oponente) mesmo depois de tomar uma linha passiva na mão.
Outro factor importante é como eles jogam draws - alguém que dá raise com a maioria dos draws no flop é muito mais provável que tenha mãos feitas quando dá call duas vezes numa board do tipo busted-draw do que alguém que gosta de os jogar de forma passiva.

Também ligado às tendências está o segundo elemento - dado que o jogador pode ter air no seu range, quantos deles vãos eles bluffar. Isto pode estar fortemente ligado para a generalidade com que um jogador é agressivo ou passivo, mas claro, os jogadores vão desviar-se das suas tendências normais de tempos em tempos.
O range apercebido do hero é igualmente relevante - quanto mais forte o nosso range apercebido é, menos frequentemente podemos esperar bluffs de oposição competente. Em geral, numa situação em que há um range bluffcatcher standard vs range polarizado, não precisamos considerar quais as combos específicas que vão ser usadas para bluffar, apenas considera quantas vão ser usadas para bluffar e usa uma percentagem geral das vezes que o vilão vai bluffar no spot em questão (lembra-te que as mãos de valor vão betar quase 100% das vezes a não ser que o oponente cometa um erro).


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16 respostas
danielpperes
Membro desde: 27.05.2010

Nice work. Obrigado.


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RAimi
Membro desde: 25.12.2007

Parabéns pela tradução, esperando o resto!

:nh


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sarvam
Membro desde: 28.12.2009

Obrigado :fdrink

Actualizado a partir de 2 - O Preflop


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pinhero
Membro desde: 01.11.2009
leopoker
Membro desde: 02.02.2008

maaaassa :nh


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sarvam
Membro desde: 28.12.2009

Atualizado a partir de 2.2 A 3Bet


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sarvam
Membro desde: 28.12.2009

Actualizado a partir de 2.3 4bets e para além disso


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PARABÉNS! MUITO BOM!
No aguardo do resto, estou achando muito bacana mesmo.


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sarvam
Membro desde: 28.12.2009

Original de bernardohf
PARABÉNS! MUITO BOM!
No aguardo do resto, estou achando muito bacana mesmo.

:fdrink

Até final do mês deve estar completo. A partir de agora é quase tradução integral. Já está quase tudo traduzido para papel, agora só falta passar para aqui ;)


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RAimi
Membro desde: 25.12.2007

Original de sarvam

Original de bernardohf
PARABÉNS! MUITO BOM!
No aguardo do resto, estou achando muito bacana mesmo.

:fdrink

Até final do mês deve estar completo. A partir de agora é quase tradução integral. Já está quase tudo traduzido para papel, agora só falta passar para aqui ;)

:nh

Fazendo contagem regressiva aqui. :f_biggrin:


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renatopereira123
Membro desde: 02.01.2012

Muito bom, gostei bastante.


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travessorio33
Membro desde: 22.07.2008

Muito bom Sarvam, parabéns pelo serviço prestado.

Obrigado ;)


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sarvam
Membro desde: 28.12.2009

Obrigado pelo feedback.

Actualizado a partir de 3. O Posflop


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Só agora descobri esta preciosidade!
Numa palavra: FANTÁSTICO!

Obrigado pela partilha! :nh


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Adriano87
Membro desde: 29.03.2008

Grande feito mesmo, sarvam. VNH. :fdrink Nem sabia desse artigo da 2+2.


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sarvam
Membro desde: 28.12.2009

Obrigado pelo feddback pessoal :fdrink

Actualizado e completado a partir de 3.1.4 Descobrir qual o nível em que um oponente está a pensar (vá se lá saber como esta parte esta incompleta na última actualização :facepalm: ).


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